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Governo de Angola quer saber quantos diabéticos tem mas o país só tem 14 especialistas


Sabrina Coelho da Cruz, médica e diabetologista, falava à agência Lusa no quadro do Dia Mundial da Diabetes, que hoje se assinala, e considerou que a doença não diz respeito apenas ao Ministério da Saúde, mas sim ao Estado e a toda a sociedade.

"Há uma série de situações e uma série de responsáveis que devem estar envolvidos. Gasta-se muito dinheiro na prevenção, mas, depois, gasta-se muito mais quando tratamos a doença com as complicações que dela advêm", disse.
Segundo a especialista, a diabetes compreende "complicações gravíssimas", desde o coração, olhos e rins, com o entupimento dos vasos sanguíneos, enfartes, insuficiência renal ou disfunções renais, entre outras.

"É uma complicação de Estado, porque um individuo com 40 anos e que tenha sido diagnosticado com a diabetes está dentro da idade ativa para o trabalho do país e pesa bastante para o próprio Orçamento", explicou.

Para a também diretora-geral e clínica do Centro Clínico de Diabetes de Angola, "único especializado e direcionado" para o tratamento da doença, as ações do Estado em torno da doença deveriam ser "mais incisivas" e com parcerias com instituições do setor.

"O programa da direção nacional de Saúde Pública está aí. Se calhar não estamos ainda a funcionar como queremos. Há ainda muitas mazelas e falta aquela alavanca para nos impulsionar a todos para trabalhar. É complicado quando apenas algumas pessoas estão interessadas na situação. Penso ainda existir necessidade de motivação, não só financeira, mas com todas a ferramentas para trabalharmos", indicou.

Sabrina Coelho da Cruz defendeu igualmente estudos sobre a Prevalência da Diabetes em Angola, sobretudo para planificar e coordenar ações em torno da doença, recordando que o que elaborou, há quatro anos, não teve qualquer avanço da tutela.


De acordo com a médica, há a necessidade de o país saber quantos diabéticos tem, porque, explicou, sabendo a taxa de prevalência, o Estado "consegue planificar que medicação tem de importar, as quantidades, os custos e as complicações apresentadas."

"Poderia fazer-se muito internamente, em vez de enviar para fora [do país] um individuo para hemodiálise, que é para vida toda. Portanto, há um elevado número de coisas que devem ser planificadas a longo prazo", adiantou.

Com três anos de atividade, o Centro Clínico de Diabetes de Angola tem uma "carteira" de cerca de 2.000 doentes com programas de atendimento, quando, disse a médica, o país "carece" de endocrinologistas.

"Não somos tantos especialistas a tratarem da diabetes no país. Há apenas 14 endocrinologistas em Angola e, nesse número, sete são estrangeiros. É muito pouco", realçou.
Daí que, defendeu, tem de haver orientações do Ministério, sobretudo aos jovens médicos em termos de especializações, porque são precisos "clínicos gerais bem formados" para atenderem uma doença crónica, mas não transmissível.



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