Hipertensão Arterial Sistêmica. - Sintomas, factores de risco e causas

A hipertensão arterial sistêmica é considerada um dos principais fatores de risco (FR) modificáveis e um dos mais importantes problemas de saúde pública. Estudos clínicos demonstraram que a detecção, o tratamento e o controle da HAS são fundamentais para a redução dos eventos cardiovasculares. 

A mortalidade por doença cardiovascular (DCV) aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial. Em 2001, cerca de 6 milhões de mortes no mundo foram atribuídas à elevação da PA, 54% por acidente vascular encefálico (AVE) e 47% por doença isquêmica do coração (DIC), sendo a maioria em países de baixo e médio desenvolvimento econômico e mais da metade em indivíduos entre 45 e 69 anos. 

As DCV são ainda responsáveis por alta frequência de internações, ocasionando custos médicos e socioeconômicos elevados. A doença renal terminal, outra condição frequente na vigência da HAS, ocasionou a inclusão de 94.282 indivíduos em programa de diálise no SUS e 9.486 óbitos em 2007.


Os fatores de risco para hipertensão arterial sistêmica são:
  • Idade: sendo a prevalência de HAS superior a 60% acima de 65 anos.
  • Gênero e etnia: a prevalência global de HAS entre homens e mulheres é semelhante, embora seja mais elevada nos homens até os 50 anos, invertendo-se a partir da quinta década. Em relação à cor, a HAS é duas vezes mais prevalente em indivíduos de cor não branca.
  • Excesso de peso e obesidade: se associam com maior prevalência de HAS.
  • Desde idades jovens. Na vida adulta, mesmo entre indivíduos fisicamente ativos, incremento de 2,4 kg/m2 no índice de massa corporal (IMC) acarreta maior risco de desenvolver hipertensão. A obesidade central também se associa com PA.
  • Ingestão de sal: a ingestão excessiva de sódio tem sido correlacionada com elevação da PA. A população brasileira apresenta um padrão alimentar rico em sal, açúcar e gorduras. Por outro lado, o efeito hipotensor da restrição de sódio tem sido demonstrado.
  • Ingestão de álcool: por períodos prolongados de tempo pode aumentar a PA e a mortalidade cardiovascular em geral. Em populações brasileiras, o consumo excessivo de etanol se associa com a ocorrência de HAS de forma independente das características demográficas.
  • Sedentarismo: a atividade física reduz a incidência de HAS, mesmo em indivíduos pré-hipertensos, bem como a mortalidade e o risco de DCV.
  • Fatores socioeconômicos: a influência do nível socioeconômico na ocorrência da HAS é complexa e difícil de ser estabelecida. No Brasil, a HAS foi mais prevalente entre indivíduos com menor escolaridade.
  • Genética, a contribuição de fatores genéticos para a gênese da HAS está bem estabelecida na população. Porém, não existem, até o momento, variantes genéticas que possam ser utilizadas para predizer o risco individual de desenvolver HAS.
Os FR cardiovascular frequentemente se apresentam de forma agregada. A predisposição genética e os fatores ambientais tendem a contribuir para essa combinação em famílias com estilo de vida pouco saudável.

Sintomas

Os sintomas mais habituais são dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjoos, falta de ar e sangramentos nasais. A linha demarcatória que define HAS considera valores de PA sistólica ≥ 140 mmHg e/ou de PA diastólica ≥ 90 mmHg em medidas de consultório. O diagnóstico deverá ser sempre validado por medidas repetidas, em condições ideais, em pelo menos três ocasiões.




Há, pois, que se ter noção da possibilidade de se deparar com Urgências Hipertensivas, quando a elevação crítica da pressão arterial, em geral pressão arterial diastólica, é ≥ 120 mmHg, porém com estabilidade clínica, sem comprometimento de órgãos-alvo, sendo que pacientes que cursam com UH estão expostos a maior risco futuro de eventos cardiovasculares comparados com hipertensos que não a apresentam, fato que evidencia o seu impacto no risco cardiovascular de indivíduos hipertensos e enfatiza a necessidade de controle adequado da pressão arterial cronicamente. Ou mesmo Emergências Hipertensivas, que é a condição em que há elevação crítica da pressão arterial com quadro clínico grave, progressiva lesão de órgãos-alvo e risco de morte, exigindo imediata redução da pressão arterial.

Na grande maioria dos casos a Hipertensão Arterial é considerada essencial, isto é, ela é uma doença por si mesma. Nenhum dos mecanismos que geram a hipertensão é isoladamente muito mais influente que os demais. Por fim, a HAS pode se caracterizar como Hipertensão arterial sistêmica secundária (HAS-S), a qual tem prevalência de 3% a 5% da população hipertensa. Ocorre quando um determinado fator causal predomina sobre os demais, embora os outros possam estar presentes. Antes de se investigarem causas secundárias de HAS deve-se excluir:
  • Medida inadequada da pressão arterial;
  • Hipertensão do avental branco;
  • Tratamento inadequado;
  • Não adesão ao tratamento;
  • Progressão das lesões nos órgãos-alvos da hipertensão;
  • Presença de co-morbidades; e
  • Interação com medicamentos.
As principais causas de HAS-S são Doença renal parenquimatosa, Doença renovascular (o fator causal principal é isquemia renal, em geral provocada por estreitamento da artéria renal, unilateral ou bilateral), hipertensão relacionada à gestação (situações de hipertensão arterial durante e/ou devido à gestação), Acromegalia (doença causada por produção excessiva de hormônio do crescimento em adultos), Hipertireodismo(doença causada por excesso de hormônios tireoideanos circulantes, Hipotireodismo (doença causada por deficiência de hormônios tireoideanos circulantes), Hiperparatiroidismo (doença causada por excesso de paratormônio circulante), Síndrome de Cushing (doença causada por excesso de glicocorticóides circulantes), Hiperaldosteronismo primário (doença causada por produção inapropriadamente elevada de aldosterona pela glândula supra-renal), Feocromocitoma (tumor, em geral supra-renal, produtor de catecolaminas), Apneia do sono (doença por descontrole dos mecanismos respiratórios do sono, com hipóxia intermitente), Coartação da aorta e Hipertensão medicamentosa (situações de hipertensão arterial desencadeadas ou exacerbadas por uso de medicamentos, como Corticóides, Anti-inflamatórios não esteróides, Drogas de ação sobre o sistema nervoso simpático, Antidepressivos, Anestésicos e Narcóticos).

Aparecimento dos sintomas

A hipertensão arterial é considerada uma doença silenciosa, pois na maioria dos casos não são observados quaisquer sintomas no paciente. Quando estes ocorrem, são vagos e comuns a outras doenças, tais como dor de cabeça, tonturas, cansaço, enjoos, falta de ar e sangramentos nasais. Esta falta de sintomas pode fazer com que o paciente esqueça de tomar o seu medicamento ou até mesmo questione a sua necessidade, o que leva a grande número de complicações.




Duração dos sintomas

Tempo variado, mas o uso de medidas não medicamentosas e medicamentosas se fazem necessárias para que haja controle dos níveis pressóricos e se minimizem as consequências dos mesmos em relação as alterações vasculares sistêmicas que incluem aceleração de ateromatose e propiciam, a nível do coração - Angina de peito, Infarto agudo do miocárdio, Cardiopatia hipertensiva e Insuficiência cardíaca, a nível cerebral - Acidente vascular cerebral, Demência vascular, a nível renal - Nefropatia hipertensiva e Insuficiência renal, e a nível ocular - Retinopatia hipertensiva.


O que fazer em caso de sintomas

Tratamento não medicamentoso da HAS consiste de:
  • Controle de peso.
  • Mudança no padrão alimentar (dieta rica em frutas e vegetais e alimentos com baixa densidade calórica e baixo teor de gorduras saturadas, redução do consumo de sal, moderação no consumo de álcool).
  • Prática regular de exercício físico ( prática regular de atividade física aeróbica, como caminhadas por, pelo menos, 30 minutos por dia, 3 vezes/semana, para prevenção e diariamente para tratamento).
  • Controle do estresse psicossocial.
  • Pressão positiva contínua nas vias aéreas e outras formas de tratamento da síndrome da apnéia/hipopneia obstrutiva do sono.
  • Cessação do tabagismo.
  • Algumas modificações de estilo de vida direcionadas para as características individuais.
Quando essas medidas não são suficientes para controle da HAS, associa-se o tratamento medicamentoso, embasado em drogas da linhagem dos diuréticos (tiazídicos, de alça, poupadores de potássio), inibidores adrenérgicos (de ação central, betabloqueadores), inibidores da Enzima de Conversão da Angiotensina, bloqueadores dos canais de cálcio, bloqueadores do receptor de AT1, Inibidor direto da renina.




Na urgência hipertensiva, quando há elevação crítica da pressão arterial, em geral pressão arterial diastólica é ≥ 120 mmHg, porém com estabilidade clínica, sem comprometimento de órgãos-alvo, a pressão arterial, nesses casos, deverá ser tratada com medicamentos por via oral buscando-se redução da pressão arterial em até 24 horas.

Na emergência hipertensiva, que é a condição em que há elevação crítica da pressão arterial com quadro clínico grave, progressiva lesão de órgãos-alvo e risco de morte, é exigida imediata redução da pressão arterial com agentes aplicados por via parenteral.

A hipertensão arterial sistêmica secundária deve receber tratamento direcionado para cada caso específico.

Prevenção


  • Controle de peso.
  • Mudança no padrão alimentar (dieta rica em frutas e vegetais e alimentos com baixa densidade calórica e baixo teor de gorduras saturadas, redução do consumo de sal, moderação no consumo de álcool)
  • Prática regular de exercício físico ( prática regular de atividade física aeróbica, como caminhadas por, pelo menos, 30 minutos por dia, 3 vezes/semana, para prevenção e diariamente para tratamento).
  • Controle do estresse psicossocial.
  • Pressão positiva contínua nas vias aéreas e outras formas de tratamento da síndrome da apneia/hipopneia obstrutiva do sono.
  • Cessação do tabagismo.
  • Algumas modificações de estilo de vida direcionadas para as características individuais.

Observações extras

Em 2001, cerca de 6 milhões de mortes no mundo foram atribuídas à elevação da PA, 54% por acidente vascular encefálico (AVE) e 47% por doença isquêmica do coração (DIC), sendo a maioria em países de baixo e médio desenvolvimento econômico e mais da metade em indivíduos entre 45 e 69 anos. As DCV são ainda responsáveis por alta frequência de internações, ocasionando custos médicos e socioeconômicos elevados. A doença renal terminal, outra condição frequente na vigência da HAS, ocasionou a inclusão de 94.282 indivíduos em programa de diálise no SUS e 9.486 óbitos em 2007.

Fonte: Rio com Saúde



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